terça-feira, 21 de agosto de 2018

(R) Estar

Naquela terça (tinha que ser na terça...) eu me perdi em memórias... Tudo o que me lembrava era de um sorriso e de uma lágrima. Despedidas são sempre complicadas, mas muitas vezes necessárias. E nessa mesma terça eu estava refletindo sobre o papel que algumas pessoas exercem na nossa vida.

Algumas pessoas chegam na nossa vida e não vão embora nunca mais. Outras tem prazo de validade: chegam, ficam por um tempo muito específico e depois vão embora. Também existem aquelas que vão embora, mas voltam... a única constante aqui é a transformação. Pensando mais um pouco sobre isso, vejo que eu também tive prazo de validade na vida de algumas pessoas, cumpri meu papel e fui embora. Também já fui e já voltei e também já cheguei para nunca mais ir.

No momento em que as pessoas se vão, muitas vezes é difícil entender o porquê. Talvez demore alguns anos para compreendermos que aquela pessoa tão querida foi embora porque cumpriu sua quest, sua missão e agora tem outras mais para cumprir. Também podemos passar uma vida inteira sem ter tal discernimento, o que é triste, pois nos deixa um buraco no peito, não entender porque alguém tão querido nos deixou. É como se fosse um mistério que não foi resolvido.

E se tem mistério maior que esse, é saber o impacto que a nossa ausência pode ter causado em alguém. E até mesmo a ausência marca uma presença...

Se hoje eu tenho lembranças é que porque em algum momento, por mais breve que tenha sido, tive o presente, ops, a presença.

Um sorriso, uma lágrima, uma viagem, um retorno, um violão, olhos azuis e olhos castanhos, um texto, um livro, uma música, um cheiro, um sabor, um hambúrguer, um violoncelo, uma estrela, um trabalho, uma escola, uma casa e pessoas... Coisas simples e até mesmo corriqueiras que ganharam um novo significado (ou melhor dizendo, se tornaram significantes). E hoje, o que ficam são os significantes e as representações. Só restam as memórias... mas até quando elas irão restar? Até quando eu (r) estarei?


quarta-feira, 11 de julho de 2018

Reforma



"Mudança introduzida em algo para fins de aprimoramento e obtenção de melhores resultados"

Quem nunca esteve em reforma? Quem nunca buscou estar em uma nova forma? E o que de novo podemos trazer a uma velha forma?

Tantas perguntas...

A reforma me trouxe reflexões, me fez questionar primeiramente, como adquiri a forma que tenho hoje. Será que é uma forma gasosa, líquida ou sólida? Percebi que, dependendo da pressão exercida sob a minha forma ou se as coisas ao redor dela estiverem ou muito frias ou muito quentes, ela pode mudar.

Também me questionei se as mudanças exteriores à forma provocavam mudanças interiores também ou vice-versa.

Talvez o processo se iniciasse internamente e consequentemente provocasse uma reação externa, visível a todos aqueles que queiram enxergar.

Ou talvez algo no ambiente provocasse uma mudança externa à forma e consequentemente isso causasse uma mudança interna, vísivel a poucos olhos. 

De qualquer forma, a forma se reforma sempre. E como vemos frequentemente por aí, placas se sentem culpadas porque a reforma causa transtornos. 

Transtornos a quem se reforma e a quem está próximo também. E por que se desculpar por estar em reforma?

Des-culpar - é como se a própria palavra tirasse a culpa de quem a estivesse carregando.

Seja como for, caso você queira ou não carregar a sua própria culpa, sigo eu me reinventando, carregando apenas aquilo que a mim pertence e a mim diz respeito. Porque é com esse material (que é só meu) que eu sigo fazendo a minha re-forma.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Você vem sempre aqui?



Não saberia dizer se o dia amanhecera ensolarado ou nublado, pois não batia sol na minha janela, tampouco a luz externa conseguia alcança-la. Após me levantar e executar algumas tarefas rotineiras, observei que havia um envelope que, provavelmente, alguém jogara por baixo da porta. No envelope não havia informação alguma sobre o remetente. Constava apenas o seguinte escrito: “Para você”.

Não é preciso dizer o quão curiosa fiquei. Cheguei até mesmo a pensar que aquilo não passava de um engano. Após passar por um momento de reflexão, abri o envelope. Nele havia uma carta, escrita à mão, com a caligrafia ligeiramente inclinada para a direita, letras corridas e pressão média. Também reparei que o papel havia sido dobrado exatamente no meio. Isso me deixara com uma pontinha de contentamento.

Sem mais delongas, transcrevo abaixo a carta que li:


Minha cara,

Não sei dizer quanto tempo se passou desde o dia que nos conhecemos ou desde o última dia que nos vimos. De qualquer forma, parece uma eternidade. E encarar a eternidade não é uma tarefa fácil. Tão pouco sei sobre você hoje em dia! Ainda escuta as mesmas músicas? Ainda trabalha no mesmo lugar? Ainda tem os mesmos sonhos? E a questão mais importante é: por que eu ainda me preocupo em saber essas coisas? Está claro aqui certo interesse da minha parte, que ainda permanece, mesmo diante do profundo desejo de extingui-lo. Seja como for, não adianta pensar em como estaríamos hoje se determinada coisa tivesse ou não acontecido. É preciso lidar com aquilo que temos em mãos no momento.

Aliás, certa vez lembro-me de uma amiga dizer: “Mais vale um chocolate na mão do que duas pizzas voando”. E ela tinha lá sua razão. Vários “se” poderiam ter existido, mas precisamos lidar apenas com aqueles que se tornaram reais, com aquilo que realmente aconteceu e não com aquelas coisas que gostaríamos que tivessem acontecido.

É justamente então para lidar com as coisas que aconteceram que resolvi lhe escrever essa carta. Não me leve a mal, não irei me desculpar por erros passados, tampouco irei fingir que não os cometi. Só penso que aquilo que não foi resolvido a tempo perdeu sua validade. E como me calei quando deveria falar, e falei quando deveria me calar, venho aproveitar a oportunidade para me despedir.

Não se assuste, não vou para a França (mesmo sabendo que isso lhe causaria dores na espinha todas as noites). Não irei mudar de endereço... a mudança que acontecerá será interna, profunda e totalmente transformadora.

Aproveito enquanto ainda não estou acanhado e lhe convido para conhecer a nova versão de mim mesmo. Tenho certeza que lhe agradará (quem não se agradaria?) e que essa mudança trará benefícios extraordinários em nossas vidas.

Como sei que você não consegue dizer não para mim (e espero que isso não tenha mudado) gostaria de conhece-la melhor.

Aliás, você vem sempre aqui?

P.S.: A Deus e A Você.


Ao terminar de ler a carta, não sabia se ria ou se chorava. Acredito que um pouco das duas coisas aconteceu. A carta não estava assinada, mas também não era preciso... não é preciso ver a assinatura do Van Gogh para saber que se admira um quadro dele. Resolvi pegar um café para refletir um pouco sobre o que havia acabado de ler e mal peguei a xícara e ouvi um barulho na porta. Ao abri-la me deparo com ele.

- Olá, você vem sempre aqui?

- Sim! Gostaria de entrar para tomar uma xícara de café? – não resisti.

- Oh! Mas não seria muito incômodo?

- Claro que não! Queira entrar!

E foi assim que o deixei entrar em minha casa... em minha vida.


Até quando? 


Só Deus sabe.


Só você sabe.



sábado, 8 de abril de 2017

O retorno ao centro de mim mesma



Aqueles dias não estavam sendo fáceis.

Parece que eu havia chegado em mais um daqueles momentos da vida em que várias situações testam tudo aquilo que você acredita e de repente você encontra um dilema: age da mesma forma que tem agido até então ou promove, de alguma forma, uma mudança significativa no seu agir.

Antes de chegar a esse ponto em que começo a narrativa, as coisas estavam aparentemente bem, pela primeira vez há muito tempo. Mas como a vida é uma roda da fortuna, nunca se sabe o que irá acontecer e o que irá te colocar numa posição inferior ou superior. Naquele momento então, quando percebi que algo me puxava para baixo, resolvi tentar a difícil escalada até o centro da roda, pois no centro eu conseguiria escapar do vai e vem e ainda esperava ver aquilo que causava todo o meu tormento.

Para minha surpresa, ao chegar no centro vi que o motivo que estava causando todo aquele alvoroço era eu mesma!

Todo esse processo se constitui de momentos e tarefas dificílimas e só prossegue quem quer realmente a mudança. Em primeiro lugar havia conseguido chegar até o miolo do vendaval. Primeira tarefa concluída com êxito. O segundo momento foi a percepção da minha auto-sabotagem. Quando chegamos, e se chegamos, nesse ponto, pensamos em desistir. É tão melhor e mais fácil atribuir ao outro a culpa daquilo que atormenta a nossa vida! É tão difícil assumir a nossa responsabilidade! Porque uma vez que a assumimos, entendemos que cabe somente a nós a mudança que queremos na nossa vida, que não tem ninguém para nos dizer o melhor caminho, o que devemos ou não fazer e, por fim, se algo novamente der errado (ou certo, sejamos positivos) a responsabilidade será única e exclusivamente nossa.

Após perceber tudo isso, caí em uma reflexão profunda e de repente me vi recordando momentos passados e tentando identificar se já havia agido daquela forma outras vezes e quais tinham sido as consequências dessa atitude. A resposta veio com certa dificuldade, porque há certas coisas em nosso passado que a nossa mente faz um belo trabalho em ocultar. Depois de muito refletir cheguei a conclusão que antes de alterar alguns comportamentos, deveria alterar os pensamentos que os alimentavam. 

Muitos tentam mudar alguns comportamentos, mas quando o pensamento ou a ideia que os cria e os justifica ainda permanece, a chance do erro contínuo aumenta e era isso o que estava acontecendo comigo.

Uma vez que obtive certo esclarecimento a respeito de minha própria claridade, pude olhar para o futuro, ver todos os futuros possíveis caminhos e identificar em qual deles eu gostaria de estar, o que precisava fazer para chegar lá e o que precisava mudar agora, para que isso não pudesse me impedir de alcançar o meu objetivo.

Uma vez feito isso, pulei para outra etapa, a etapa da mão na massa. É nela que entrei hoje e espero ser bem sucedida. 

Considerando meu sucesso nessa etapa (sejamos positivos novamente e acreditemos no potencial para transformação que existe em nós!) espero poder desfrutar da calmaria que o retorno ao centro de mim mesma pode proporcionar.

Espero trazer a luz de volta a mim mesma e que a calma não esteja apenas na superfície, mas também em toda a profundidade que existe em meu ser.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A arte de se relacionar: algumas coisas que você precisa saber



Relacionamento: a possibilidade de criar laços com alguém.

Se você está ou já esteve em um relacionamento tem ideia do que estou falando. Algumas pessoas dominam a arte de se relacionar, enquanto outras têm certa dificuldade e não é à toa.

Não existe uma fórmula secreta para ter um bom relacionamento, mas existem algumas coisas que precisamos nos atentar:

1 – Ninguém pertence a ninguém

É bem simples, apesar de ser muito difícil para algumas pessoas aceitarem isso. Você não pertence a uma pessoa e nem outra pessoa pertence a você. Portanto, se você está em um relacionamento com alguém, essa pessoa pode estar com você por diversos motivos, mas o principal deles é porque ela quer. Apesar de parecer um pouco assustador, tente enxergar a maravilha disso! A outra pessoa poderia estar sozinha ou com outro alguém qualquer, mas escolheu dedicar um tempo da vida dela a você. Aproveite a oportunidade.

2 – Confiança

A confiança é algo que constitui a base de um relacionamento, assim como o respeito. É preciso aprender a confiar que a pessoa respeitará aquilo que está acordado entre vocês. Por exemplo, se vocês optaram pela fidelidade e por não ter outros parceiros, vocês precisam confiar que o seu companheiro manterá aquilo que foi acordado. Confiar é essencial, entretanto confiar cegamente (de forma irracional) também não é saudável. Se você desconfia de algo, seja sincero e converse com seu parceiro.

3 – Ciúmes

Muitas pessoas, apesar de confiarem em seus parceiros, ainda sentem ciúmes. O ciúme nem sempre é sinônimo de desconfiança. Na verdade, o buraco é mais embaixo... Nem sempre é possível identificarmos facilmente qual é a base de nosso ciúme, mas é possível sim se atentar a todos os fatores que o mantem. A dica geral aqui é: pare e pense. Se coloque no lugar da outra pessoa e pense se isso (seja lá o que for) é realmente motivo para sentir ciúmes. Se for, converse com seu parceiro.

4 – Respeito

Respeito é bom e todo mundo gosta. É o que dizem por aí. Às vezes o nosso parceiro não quer ver aquele filme que amamos ou sair com aqueles amigos que adoramos. Outras vezes eles vão tomar algumas decisões que podemos até não concordar, mas sempre precisamos respeitar. Respeitar as escolhas, as decisões, o espaço.

5 – Converse: o óbvio nem sempre é óbvio

Converse. Simples assim? Converse com sinceridade e com respeito. Se você não concorda com algo ou não gostou de algo que o parceiro fez, diga. Se você não disser, a outra pessoa não adivinhará. O que é óbvio para você pode não ser para o seu parceiro. Muitas vezes também nos enganamos com algo e nesses casos isso só poderá ser esclarecido se expormos o que pensamos e sentimos. 

6 – Sim, você pode viver sem o seu companheiro

Essa afirmativa pode ser mais dolorida para algumas pessoas do que a primeira. Você viveu vários anos antes de conhecer o seu parceiro e certamente será capaz de viver vários outros sem ele também. Isso significa que você tem um coração de pedra? Não. Significa que precisamos saber quando um relacionamento não anda bem e quando começa a nos fazer mal. E ainda assim é possível ver a beleza na afirmativa acima! Porque apesar de ninguém pertencer a ninguém e de você ser capaz de viver sem o seu companheiro, você ainda optou por mantê-lo em sua vida! Que privilégio hein! Aí está a beleza da coisa!

Lembre-se de que ninguém passa pela nossa vida à toa. Todos têm um papel a cumprir. Seja alegrar brevemente o nosso dia ou mudar o rumo da nossa história. E como não adianta muito sofrer com o futuro, viva o presente e aproveite tudo aquilo que a pessoa que está ao seu lado tem a lhe oferecer!

Se ame e se deixe amar!


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Para seguir o coração é preciso coragem!



Do latim, coraticum. Se você pesquisar no dicionário verá definições relacionadas com bravura para enfrentar situações difíceis. Além disso, essa palavra se deriva de cor, do latim, coração. Percebe alguma semelhança? Não é à toa! Para seguir o coração é preciso coragem. Para seguir o coração é preciso bravura para enfrentar situações difíceis.

Quantas vezes você já deixou de fazer algo porque não teve coragem? Quantas vezes deixou de seguir o caminho do seu coração? Ah! Não se engane! Muitas vezes seguir o caminho do coração pode também significar se afastar de algum amor, porque isso não te faz bem. Pode significar se livrar de pessoas, de coisas e de situações!

É preciso ter muita coragem para abrir mão das coisas e das pessoas. É muito difícil ir e deixar ir. Por isso, lembre-se sempre do jardineiro! Ele cuida muito bem do seu jardim. Ele tira tudo aquilo que precisa ir embora, alguns galhos velhos ou fora do lugar, limpa os arredores, cuida da terra e rega o jardim. Com muito cuidado e paciência o seu jardim fica muito bonito. E o mais importante: por mais que o jardineiro ame o seu jardim, ele sabe que ele não pode o tomar para si. O que aconteceria com a mais linda flor se lhe tirassem da terra? Morreria. O amor maior e o cuidado consistem sobretudo no respeito e no entendimento dos limites, dos nossos e dos outros.

Portanto, coragem! Cuide bem do seu jardim. Cuide bem do seu coração!


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sem apresentações



Eu adorava admirar aquele rosto. A pele era negra e linda. A barba e o cabelo estavam ligeiramente grandes. As sobrancelhas em seus devidos lugares e levemente arqueadas. Os olhos eram pequenos e castanho-escuros, com um levíssimo toque esverdeado. A boca suave... E um sorriso belíssimo. Altura média e um belo porte físico. Tudo isso formava o conjunto da obra. Junte isso com uma belíssima voz, um grande talento musical, aptidão para tarefas mais práticas, facilidade em aprender e falar idiomas, curiosidade, carisma, grande humildade e orgulho. Junte tudo isso e então terão um deslumbre do homem. Nem eu nem os melhores escritores poderiam fazer uma descrição perfeita. Sempre há algo que nos escapa à visão ou que a nossa escrita não abrangerá. Mas por hora esse pequeno parágrafo basta.

Bastou que esse homem sorrisse: pronto! O estrago já estava feito. Mas é uma daquelas coisas que você não percebe de imediato, só mais para a frente é que os sintomas começam a surgir e quando você percebe já é tarde demais, não há remédio que cure essa (ar) dor.

Nome? É injusto pensar que apenas um nome tem a difícil tarefa de carregar todos esses significados, por isso não direi seu nome e nem seria preciso. Ele é o tipo de pessoa que recusa apresentações. A imagem valia mais que uma palavra.

Os anos se passavam e suas características e sua beleza apenas se aprimoravam. Era uma obra de arte viva. Uma obra de arte que eu vivia a contemplar. Eu e mais um monte de gente.

Enquanto o passar do tempo trazia o desinteresse para as outras pessoas, para mim o interesse apenas aumentava e uma vida apenas parecia pouco demais para conhecer profundamente aquele ser. Sorte que uma vida era o que eu precisava para amá-lo. Como disse anteriormente, demorei a perceber os sintomas e demorei mais ainda para identificar o causador deles, mas quando percebi, já não havia volta mais, já fazia parte daquela vida e sabia que a minha mudaria para sempre.

Hoje, tempo depois do primeiro golpe – o sorriso – o entusiasmo permanece, a curiosidade aumenta, o conhecimento se acumula e o amor, ah o amor, ele cresce a cada dia. E continuará crescendo...